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raydalia e suas pedras


Eu, bruxa

 

Bruxas são sábias mulheres

Seus livros: feitiçaria

As vassouras onde voam

Limpam a hipocrisia.

Habitam as ricas florestas

Naturais da ousadia

Criam em seus caldeirões

O que parece magia:

Histórias, poemas, palanques,

tanques de luta e lavar,

Criam filhos e remédios,

inventam canções de ninar.

Geram poções de amor

Com palavras de poesia

Tecem, fiam, desenham

Caminhos pra um novo dia.

Uma estrela da sorte

É seu emblema e condão

Um gato preto manhoso

O animal de estimação.

Seu luxo: a simplicidade

Sua idade: a que quiser

Bruxos também existem

Mas a fama é da mulher.

Fogueiras nada resolvem

Inquisição não nos basta

temos mais que sete vidas

que o preconceito não mata.

 

 

 



Escrito por raydalia bittencourt às 10h00
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Bolha de sabão

Desencaixada no mundo

Em pó me desmancho, cinzas

Queimado meu coração

Pelo gelo do desprezo.

Grito e não ouço eco

Estendo ao mãos no vazio

Sou nada aos olhos do outro

Sou pouco aos olhos de mim.

Fraca, tateio, escuro

Palavras que me traduzam

Cruzes vejo na estrada

Das mortes do meu carinho.

Caminho a esmo na vida

Querida nunca pareço

Pereço só, num lamento

Um vento e me desalinho.

 

15/10/2013 



Escrito por raydalia bittencourt às 12h24
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Jogo de damas

 

As pedras se movem

Num constante guerrear

Avança uma pedra

Nenhuma a recuar

 

Para o lado e para a frente

Território a conquistar

A preta come a branca

Na outra vez põe-se a chorar

 

As regras são quebradas

Ambas querem vencer

No jogo do amor

Quem desiste vai perder.

 

 

Raydália – 14/10/2013



Escrito por raydalia bittencourt às 09h07
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Ciúmes

A cena era triste: duas cadelas disputando um pedaço de carniça. A mais velha, esquálida e pelancuda, com um pelo ralo e ensebado, era a mais feroz e insistente. Tinha largado o trapo de carne e depois voltava a disputá-lo quando viu que a cadela mais nova se aproximara, valorizando-o. Esta, por sua vez, um pouco mais cheinha de carnes, mas feridenta, limitava-se a rosnar para a mais velha, fincando, porém, as unhas na carniça que se tornava cada vez mais esganiçada. Um pouco distante, um velho cão deitado, com um olhar sonolento, apreciava a disputa, indiferente à sorte das contendoras. As duas, vez por outra, olhavam para ele como a pedir ajuda, cada uma para si mesma. Em vão. Ele sabia que qualquer uma delas que se sagrasse vencedora levaria para ele um pedaço da carniça. O que nenhum deles via, mas eu sim, era que não haveria ao final nenhum pedaço de carne que se aproveitasse. Talvez, algum pedaço da carne de uma delas, ensanguentado, pudesse ser saboreado por aquela boca imóvel, incapaz de um latido firme e decisivo.


Quem tem olhos de ver, que ouça.



Escrito por raydalia bittencourt às 12h56
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